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TEMA 2019

A Comissão Europeia adotou, em Dezembro de 2015, um Plano de Ação para a Economia Circular, visando estimular a transição da Europa para uma economia circular, que reforçará a competitividade a nível mundial, promoverá o crescimento económico sustentável e criará novos postos de trabalho.


O Governo de Portugal apresentou, em Junho de 2018, o Plano de Ação para a Economia Circular (PAEC), alinhado com as políticas europeias.

O sistema agroalimentar é central na transição da Economia Linear para a Economia Circular. Por definição, um sistema agroalimentar circular é um sistema com “zero desperdício”. Todos os produtos e subprodutos da exploração agrícola são aproveitados para consumo ou como matéria-prima para outras utilizações. Significa que é necessário converter os resíduos e matérias residuais em “recursos”, ligando o final de um processo ao início do outro, criando um circuito de retorno. Os recursos são mantidos o mais tempo possível no sistema produtivo, de modo a serem reutilizados várias vezes.


A Agricultura Circular não abdica de uma agricultura intensiva e produtiva, mas visa a poupança dos recursos naturais e da energia, através da sua utilização eficiente, reduzindo o mais possível a pressão sobre o ambiente, a natureza e o clima:

  • a terra arável deve ser usada sobretudo para a produção de alimentação humana, numa lógica de rotação de culturas e de ocupação permanente do solo;

  • as plantas são encaradas com um duplo propósito: primeiramente como fonte de alimento e os seus resíduos (folhas, palha, caules, etc) usados para alimentação animal e/ou transformados em biofertilizantes; 

  • as pastagens são relegadas para terrenos marginais onde não é possível produzir alimentos;

  • a alimentação animal é suplementada com outras fontes - concentrados proteicos obtidos por bio-conversão de restos de alimentos usando insetos e larvas; algas marinhas, etc.

A saúde dos solos é um dos pilares da Agricultura Circular. Solos férteis, ricos em matéria orgânica, são determinantes para a produtividade das culturas, garantem que os nutrientes e a água são retidos e, em última análise, são uma forma natural de absorver CO2 e outros gases com efeito de estufa. 

Do ponto de vista da saúde das plantas e dos animais é defendida uma abordagem integrada na Agricultura Circular que começa com a seleção de raças e variedades mais resilientes a doenças e pragas e aos efeitos das alterações climáticas. A resiliência das plantas é incrementada através de meios de luta biológica e do estabelecimento de margens multifuncionais nas parcelas agrícolas.